
Podas do cafeeiro:
A poda do cafeeiro pode parecer uma operação extremamente simples de se realizar, porém o que estamos observando nas regiões cafeeiras, é que, em muitos casos, não se está levando em consideração vários aspectos técnicos fundamentais relativos a este importante manejo do cafeeiro. O cafeeiro é uma planta que emite um tronco ortotrópico, que por sua vez emite ramos laterais chamados de plagiotrópicos, de número e crescimento limitado.
A época para podar é recomendável o quanto antes melhor, iniciando-se em julho e terminando em dezembro.
O objetivo da poda é facilitar o manejo e a colheita, programar safra, corrigir o fechamento dos cafezais onde a iluminação é insuficiente e o trânsito de máquinas é dificultado pelos ramos que caem ou se encontram nas entrelinhas; recuperar plantas que não mais atendem aos aspectos técnicos e econômicos desejáveis para a colheita; diminuir a distância dos ramos ao tronco; aumentar a área foliar das plantas em lavoura depauperadas; facilitar e aumentar a circulação da seiva; aumentar a produção e o rendimento da planta e racionaliza custo.
Tipos de poda:
Esqueletamento, decote, e recepa.
O esqueletamento consiste na poda dos ramos plagiotrópicos. É considerado uma das podas mais drásticas, visto que, elimina-se toda a área foliar do cafeeiro em que a poda dos ramos laterais deixando de 20 a 30 cm do tronco no topo e de 50 a 60 cm do tronco na saia, a poda lateral normalmente é seguida de um decote. É a "poda da moda", entretanto nem todas as lavouras estão aptas ou preparadas para sofrer tamanho estresse; o alto custo com as desbrotas devido principalmente ao surgimento dos ramos ladrões, também é fator que deve ser levado em consideração quando se faz a opção por este tipo de poda, porém, quando o esqueletamento é realizado no momento correto, o resultado é fantástico, ocorrendo o surgimento de novos ramos plagiotrópicos, aumentando a área produtiva da planta e já com resultados significativos.
Vantagens: Recompõe a planta rapidamente; aumenta o crescimento e/ou produção de ramos laterais.
O decote é um tipo de poda alta, feita a uma altura variável, eliminando-se a parte superior da planta que ficou depauperada, devido aos maus tratos ou forte ataque de pragas e doenças; e é também recomendada para lavouras com plantas altas. Deve ser de tal modo que permita a condução manual da desbrotação. Continua sendo a poda mais praticada do café, com a condução de uma ou duas brotações, com o corte da planta a uma altura de 1,20 – 2,20 m. Experimentos mostram que os decotes mais altos (acima de 1,60 metros), apresentam aumento de produtividade e menor dano provocado por geadas de fraca intensidade, quando comparadas com as podas mais baixas. Entretanto, aumentam a dificuldade para podar e desbrotar e dificultam a poda seguinte, que deverá ser realizada no tronco velho.
Vantagens: Renovação de lavouras; Não há perda significativa da produção; Facilidade de colheita manual e mecânica; Facilidade de tratos fitossanitários; Não implica em tratos culturais diferenciados.
Recepa é o corte do tronco da planta a uma altura de 30 a 40 cm do solo, para recepa baixa e 50 a 80 cm, para recepa alta, em altura inferior a 0,80m. Deve-se levar em consideração a ausência ou presença de saia na planta. Na ausência da saia, a recepa deve ser baixa, feita a uma altura aproximadamente de 30 cm. Caso a planta apresente uma boa saia, a recepa deve ser efetuada à altura de até 80 cm, deixando-se os ramos laterais denominados pulmões. São eles que vão fornecer energia para a planta, tornando sua recuperação mais rápida. O corte deve ser feito em bisel para reduzir, tanto a entrada de água como a perda de troncos por doenças. Devem ser escolhidos, ainda, os brotos que saem na direção da linha. É a poda mais drástica de todas, pois elimina-se 100% da parte aérea do cafeeiro, cortando os pés próximos ao solo.Experimentos mostram que ocorre a mortalidade de mais de 80% das radicelas do cafeeiro. Exige maior tempo para recuperação da lavoura.
Vantagem: A recepa baixa renova a lavoura.
Cada caso é um caso. Por se tratar de assunto complexo, todo tipo de poda merece ser analisado individualmente. Neste artigo analisamos somente três tipos, porém existem outros. O cafeicultor deve consultar o Departamento Técnico da CAPEBE antes de adotar qualquer esquema. Pois um mesmo tipo de poda pode apresentar resultados diferentes, conforme: fertilidade do solo, variedade do cafeeiro, quantidade de chuvas no ano, idade da lavoura, microclima da lavoura; espaçamento das plantas.
“Nunca se esqueçam: A arte de produzir café é a arte de produzir novos ramos”
Rogério de Souza Rodrigues
Técnico em Agropecuária