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Informativo Capebe

04/03/2010 - O HOMEM, O AMBIENTE E A ROTINA DE ORDENHA

            No mercado de produtos alimentícios, a qualidade deixou de ser simplesmente uma vantagem competitiva e se tornou um requisito fundamental para a comercialização dos produtos. O correto manuseio dos alimentos abrange desde a matéria-prima até o produto final e tem por objetivo garantir a integridade do alimento e a saúde do consumidor.

            Dentre os elementos envolvidos nas atividades relacionadas com as boas práticas de fabricação dos produtos de origem animal, o elemento humano é o mais importante, porque são as pessoas que planejam, implementam e mantém os sistemas efetivos. Aspectos relacionados com a sanidade dos animais vem ao encontro de produtos finais saudáveis e seguros à população.

            Nesse contexto a mesma composição que torna o leite um alimento rico e indicado à alimentação humana, também o faz um excelente meio para o desenvolvimento de diversos microorganismos, muitos deles com potencial para provocar casos de intoxicação alimentar.

            As boas práticas de ordenha envolvem obrigatoriamente três fatores, que devem participar do processo de forma harmônica: o ordenhador, o ambiente em que os animais permanecem antes, durante e depois da ordenha e a rotina de ordenha.

            O ordenhador

            Entre o animal e os latões ou o tanque de resfriamento ou ainda a ordenhadeira mecânica existe a figura-chave da pessoa que ordenha. Sem a atenção necessária a este componente essencial no manejo de ordenha, nulos se tornam os investimentos em equipamentos modernos ou em animais de alta eficiência produtiva. Ineficazes

tornam-se, também, os gastos com medicamentos e em investimentos em infra-estrutura, pastagens, silos ou quaisquer melhorias para a propriedade leiteira.

            Os princípios de higiene, de funcionamento do equipamento de ordenha e de reação do animal aos estímulos recebidos antes, durante e depois da ordenha são de fundamental importância.

            Conduzir os animais até a ordenha com muita calma, devendo-se também oferecer um ambiente calmo e confortável, com sombra e água de bebida de boa qualidade.

            O ordenhador deverá ter hábitos higiênicos, lavar bem as mãos com água e sabão e enxugar bem. Quem tira o  leite não deve ser o mesmo que conduz as vacas para a ordenha ou que amarra as vacas para serem ordenhadas, a sua única função deve ser a ordenha propriamente dita.

            O ambiente

            A sala de espera (antes da ordenha) deve ser sombreada, limpa, arejada, confortável, bem dimensionada e funcional para o animal e para o ordenhador.  Na entrada ou na saída da sala de ordenha, quando houver, deve-se evitar o excesso de curvas, dando-se preferência ao trajeto em linha reta.

            Utilizar água limpa na lavagem dos utensílios e dos equipamentos de ordenha, para a lavagem de tetos e para a realização da anti-sepsia antes e depois da ordenha.

            A rotina de ordenha

            Realizar uma “linha de ordenha”,isto é, ordenhar primeiro os animais sadios, o leite das vacas tratadas com antibióticos deve ser descartado enquanto estiver sendo efetuado o tratamento e durante o período de carência recomendado pelo fabricante do medicamento.

            A ordenha deve ser tranqüila e em ambiente calmo, recomenda-se que ela seja realizada de acordo com a rotina indicada a seguir:

            a) Lavagem dos tetos

            Os  tetos do animal, quando se apresentarem sujos de esterco, de terra, de barro ou de lama, por exemplo, devem ser lavados com água corrente e em seguida ser secados com toalhas de papel descartáveis. Caso os tetos estiverem limpos, a lavagem não é necessária. O procedimento de jogar água no úbere para a retirada de sujeira não deve ser realizado em hipótese alguma.

            b) Retirada dos primeiros jatos de leite e diagnóstico da mastite

            Os jatos iniciais de leite devem ser descartados em uma caneca de fundo preto  para diagnosticar a mamite clínica, diagnóstico positivo é confirmado pela presença de grumos sobre o fundo escuro da caneca.

            Enquanto o teste da caneca de fundo escuro é um método empregado para o diagnóstico da mastite clínica, o CMT é utilizado para o diagnóstico da mastite subclínica, além disso, faz uma estimativa do número de células somáticas do leite. Recomenda-se realizá-lo, no mínimo, uma vez ao mês.

            Reações falso-positivas podem acontecer em vacas que se encontram nos primeiros dias após o parto e naquelas prestes a entrar no período seco.

            c) Anti-sepsia dos tetos antes da ordenha (Pré-dipping)

            O pré-dipping pode ser realizado com soluções de cloro 0,8 a 1,2% ou iodo 0,1% (Ribeiro 1999), em contato com os tetos por no mínimo 30 segundos, depois secar bem o peito com papel toalha descartável, não sendo permitido o uso de panos ou jornal.

            d) Anti-sepsia dos tetos depois da ordenha (Pós-dipping)

            O pós-dipping juntamente com a terapia da vaca seca e a melhoria das práticas de manejo de ordenha, resulta na redução significativa dos casos de mastite subclínica e diminui o número de novos casos de infecções intramamárias por patógenos contagiosos. Pode-se utilizar soluções de cloro a 4% ou iodo 0,5 a 1% (Ribeiro 1999).

            Utilizar aplicadores de pressão sem retorno, que tem como vantagens menor perda do produto e menor grau de pressão, além de manterem a solução anti-séptica mais limpa. Deve-se aplicar o produto em pelo menos 2/3 da superfície dos tetos.

            Depois da higienização dos tetos e liberação dos animais, os esfíncteres dos peitos permanecem abertos, então deve ser fornecido trato no cocho, para que as vacas permaneçam de pé por um prazo mínimo de até uma hora após a ordenha, assim diminuindo a possibilidade de contaminação por patógenos ambientais.

            O leite obtido depois da ordenha seja ela manual ou mecânica deve ser refrigerado a 4°C o mais rápido possível e armazenado em tanques de expansão direta previamente higienizado,  

            Assim a indústria receberá uma matéria prima de maior qualidade e o produtor  melhor preço pelo seu leite produzido.

 

Fonte: Adaptado, Boas Práticas de Ordenha, EMBRAPA Sudeste, 2008

 

 

 

DEPARTAMENTO VETERINÁRIO DA CAPEBE

JOÃO FERREIRA DA SILVA NETO

MÉDICO VETERINÁRIO-CRMV/MG 10306

 

 

 

 

 

 

 

 

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